A hipnose é comprovada cientificamente? Evidências e limites

Sim. Experimentos medem respostas à sugestão hipnótica, mudanças em tarefas de percepção e atividade cerebral associada a essas tarefas. Este artigo separa esses resultados experimentais dos estudos clínicos sobre cada condição. Para uma explicação geral do método, veja o que é hipnose e como funciona.

Hipnose é comprovada cientificamente?

A expressão “hipnose é real” mistura perguntas diferentes: se sugestões mudam experiências observáveis e se um procedimento ajuda em uma condição clínica específica. Pesquisadores definem a sugestão e medem relatos, comportamento ou atividade cerebral; a interpretação depende da pergunta, do comparador e do acompanhamento usados.

Uma experiência subjetiva, mesmo quando mensurável, não demonstra acesso a uma “mente inconsciente” nem comprova a exatidão de uma lembrança.

Uma revisão de neurociência descreve como sugestões são usadas para estudar atenção, movimento, percepção, dor, crenças e volição. O artigo sobre mitos e verdades sobre hipnose trata de concepções populares; aqui, o recorte são achados e limites experimentais.

O que estudos de neuroimagem observaram?

Em um estudo de ressonância funcional, participantes receberam sugestões para ver cor ao olhar uma imagem cinza e tons de cinza diante de uma imagem colorida. Pessoas com alta sugestionabilidade relataram mudanças perceptivas com e sem indução hipnótica, com benefício pequeno da indução. As imagens cerebrais mostraram mudanças em áreas visuais; participantes com baixa sugestionabilidade não executaram a tarefa com sucesso. McGeown e colegas (2012) compararam as condições com e sem indução.

Esse resultado indica que uma instrução verbal, em algumas pessoas e numa tarefa delimitada, acompanha uma alteração perceptiva relatada e mensurável. Não demonstra que uma sugestão controle qualquer pessoa nem que uma alteração percebida seja uma mudança física no objeto.

Outro experimento de fMRI avaliou 15 participantes altamente sugestionáveis durante uma tarefa de movimento da mão. Uma sugestão de movimento involuntário foi associada a mudanças de conectividade entre áreas motoras e a menor atividade em regiões relacionadas à percepção do movimento. Deeley e colegas (2013) descreveram esse estudo exploratório. O tamanho e a seleção da amostra limitam sua aplicação a outras pessoas ou contextos clínicos.

Que efeitos experimentais da hipnose já foram testados?

Uma revisão sistemática e metanálise de estudos controlados de dor provocada em pessoas saudáveis estimou efeitos padronizados entre g=0,54 e 0,76; os resultados variaram conforme a sugestionabilidade e o tipo de sugestão. Os autores pediram dados clínicos de melhor qualidade antes de generalizar os achados a quadros de dor crônica. Thompson e colegas (2019) revisaram os experimentos.

“Dor experimental” significa que a pesquisa provocou um estímulo doloroso controlado para medir uma resposta. Esse desenho não testa o tratamento de uma doença, a redução de dor persistente ou a substituição de analgésicos. É um sinal de que a sugestão pode alterar certas medidas em laboratório, com limites de população e tarefa.

O que foi testado Resultado observado Limite
Percepção de cor sob sugestão Relatos e atividade visual mudaram em participantes altamente sugestionáveis. Tarefa de laboratório; não equivale a controle geral da percepção.
Experiência de movimento involuntário O fMRI detectou diferenças em conectividade e atividade durante a sugestão. Estudo exploratório com 15 participantes altamente sugestionáveis.
Dor provocada em voluntários saudáveis A metanálise encontrou mudanças nas medidas experimentais de dor. Não responde, por si só, a eficácia para dor crônica.

Hipnose tem comprovação para todos os tratamentos anunciados?

Para avaliar uma indicação clínica, é preciso olhar o protocolo, a condição estudada e o resultado que os autores mediram. Os estudos disponíveis para tabagismo e peso são descritos a seguir; eles não respondem às perguntas sobre fobias, depressão, parto ou condições de pele.

O que os estudos sobre tabagismo mediram?

Elkins e Rajab descreveram um programa individual de três sessões. Trinta fumantes foram encaminhados; 21 voltaram após a consulta inicial e receberam hipnose. Ao fim do tratamento, 81% desses 21 relataram ter parado de fumar; 48% relataram abstinência aos 12 meses. O estudo foi apresentado como dado preliminar e não teve grupo de comparação. Elkins e Rajab (2004) informaram o fluxo e os resultados do programa.

Em outro relato, 43 pacientes consecutivos receberam um protocolo que combinava hipnose e “rapid smoking”; 39 disseram manter abstinência em acompanhamentos entre seis meses e três anos. Era uma demonstração de tratamento combinado, não um ensaio que isolou o efeito da hipnose. Barber (2001) descreveu esse protocolo integrado.

Uma revisão Cochrane reuniu 14 estudos e 1.926 participantes. A equipe avaliou a maioria dos estudos como de risco de viés alto ou incerto e concluiu que a evidência disponível não demonstra com segurança que hipnoterapia supere outros apoios ou a tentativa sem tratamento. No ensaio de Hasan citado pela revisão, 122 fumantes hospitalizados foram distribuídos entre hipnose, reposição de nicotina e a combinação. A revisão Cochrane sobre hipnoterapia para parar de fumar (2019) resume a qualidade e os limites dos ensaios.

O que os estudos sobre peso realmente compararam?

Cochrane e Friesen estudaram 60 mulheres de 20 a 65 anos, todas ao menos 20% acima do peso de referência e fora de outro programa de emagrecimento. O desenho tinha três grupos: hipnose com fitas de áudio, hipnose sem fitas e controle; houve avaliação após o tratamento e seis meses depois. Cochrane e Friesen (1986) publicaram esse estudo de perda de peso.

Bolocofsky, Spinler e Coulthard-Morris acompanharam 109 participantes de 17 a 67 anos em um programa comportamental de nove semanas, com ou sem hipnose. Ambos os grupos reduziram peso ao fim do programa; nos retornos de oito meses e dois anos, o grupo que recebeu hipnose teve perda adicional, enquanto o grupo comportamental teve pouca mudança. O estudo avaliou a hipnose como complemento ao programa comportamental. Bolocofsky e colegas (1985) publicaram o ensaio de manejo comportamental do peso.

Uma metanálise de 1995 avaliou 18 estudos — 20 comparações e 577 participantes — em que a mesma terapia cognitivo-comportamental foi comparada com e sem hipnose. O conjunto estudava hipnose como complemento, não como tratamento isolado. A interpretação dos resultados para peso foi disputada: uma reanálise de seis estudos encontrou efeito pequeno e não significativo após excluir um estudo questionável; outra reanálise posterior, com dados adicionais e correções de cálculo, encontrou uma diferença maior nas estimativas médias de perda de peso: 5,37 kg com TCC e hipnose contra 2,72 kg com TCC; na avaliação final, 6,75 kg contra 2,74 kg. Kirsch, Montgomery e Sapirstein (1995) publicaram a metanálise de terapias cognitivo-comportamentais, Allison e Faith (1996) reavaliaram os estudos de peso e Kirsch (1996) publicou outra metanálise. Esses resultados divergentes não autorizam promessa de perda de peso individual.

Para entender como se organiza um atendimento de hipnoterapia e quais etapas podem ser avaliadas com um profissional, consulte o guia sobre hipnoterapia. Para conhecer a história dos termos hipnose e hipnotismo, veja também a diferença entre hipnose e hipnotismo.

Perguntas frequentes

Quantos estudos e participantes entraram na revisão de dor experimental?

A síntese de Thompson incluiu 85 estudos controlados com 3.632 participantes; todos testaram modelos de dor provocada em pessoas saudáveis.

O fMRI registra diretamente pensamentos?

O fMRI estima mudanças no sinal dependente do nível de oxigenação do sangue (BOLD), que os pesquisadores relacionam à tarefa e interpretam junto dos relatos ou do comportamento.

Como os participantes do ensaio de Hasan foram distribuídos?

O total de 122 fumantes foi dividido em três grupos: 41 receberam hipnose, 41 reposição de nicotina e 40 a combinação dos dois métodos.

Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui diagnóstico ou tratamento por profissional qualificado. Leia também nossa política editorial.

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