Não há um ranking verificável dos hipnotizadores mais famosos. Os nomes abaixo foram selecionados por uma contribuição histórica identificável ou, no caso de profissionais atuais, por livros, cursos e atividades descritos em biografias próprias. Fama, presença pública e certificados privados não demonstram eficácia clínica nem autorizam atendimento de saúde.
O critério de inclusão é documental: cada perfil informa uma data, uma contribuição e uma obra, evento ou instituição que permite entender por que aquele nome aparece na história da hipnose. Para os nomes vivos, as descrições são atribuídas aos próprios profissionais ou às instituições que os apresentam.
Quais nomes históricos influenciaram a hipnose?
Os registros mostram mudanças de explicação e de prática ao longo do tempo. As fontes abaixo permitem acompanhar essa história por documentos e obras identificáveis.
Franz Anton Mesmer
No fim do século XVIII, Mesmer defendia que um “magnetismo animal” circulava entre seres vivos e podia explicar mudanças observadas durante seus procedimentos. Em 1784, Luís XVI nomeou comissões reais para investigar a prática associada a Mesmer e a Charles d’Eslon. O relatório da comissão de Benjamin Franklin descreve experimentos que separavam o contato real com o suposto agente das expectativas dos participantes; os avaliadores atribuíram os efeitos observados à imaginação, sem confirmar o fluido magnético. Esse relatório é importante como documento histórico de teste controlado e crítica de uma teoria. Ele situa Mesmer como antecedente da história da hipnose, sem transformar mesmerismo em método clínico atual.
A fonte primária é o relatório da Comissão Real sobre magnetismo animal, publicado em 1784.
James Braid
O cirurgião escocês James Braid publicou Neurypnology; or, The Rationale of Nervous Sleep em 1843. O livro reúne suas observações e descreve procedimentos que envolviam fixar a atenção visual; Braid procurou explicar os fenômenos por processos do próprio organismo, em vez de um fluido transmitido por magnetizadores. Nesse trabalho aparece o termo “hypnotism”, formado a partir de sua comparação inicial com o sono. A obra deu ao campo um vocabulário novo e uma agenda de observação experimental. Sua relevância está em deslocar a explicação do fluido magnético para processos do próprio organismo.
Leia a edição original de Neurypnology, de 1843.
Ambroise-Auguste Liébeault e Hippolyte Bernheim
Em Nancy, o médico Ambroise-Auguste Liébeault publicou Du sommeil et des états analogues em 1866, livro em que examinou sono induzido, atenção e efeitos de sugestões. Hippolyte Bernheim levou o trabalho da cidade a um debate médico mais amplo: em 1886 publicou De la suggestion et de ses applications à la thérapeutique, obra dedicada ao uso terapêutico da sugestão. A chamada Escola de Nancy ajudou a deslocar a discussão da explicação magnética para a resposta do indivíduo a sugestões e para diferenças entre pacientes. Os livros registram a formulação de seus próprios autores; sua importância está na contribuição ao debate europeu do século XIX.
As obras históricas estão catalogadas no registro de Liébeault, 1866 e no de Bernheim, 1886.
Milton H. Erickson
O psiquiatra Milton H. Erickson fundou a American Society of Clinical Hypnosis (ASCH) em 1957. A sociedade surgiu para reunir profissionais de saúde interessados em estudar e usar hipnose em contextos clínicos; atualmente, a própria ASCH descreve educação, pesquisa e prática ética entre suas atividades. Erickson também ficou associado a formas de psicoterapia que adaptavam a linguagem e as sugestões à pessoa atendida, mas a contribuição concreta aqui registrada é institucional: criar uma entidade profissional dedicada à hipnose clínica. Isso ajuda a entender como a prática passou a ter organizações, formação e espaços de intercâmbio profissional no século XX.
A data de fundação consta na página institucional da ASCH.
Dave Elman
Dave Elman passou por rádio e apresentações de palco antes de ensinar hipnose a médicos e dentistas. Segundo a biografia mantida por sua família, uma demonstração em 1949 levou profissionais a pedir aulas, e ele passou a ministrar o Dave Elman Course in Medical Hypnosis para milhares de participantes entre 1949 e 1962. Em 1964, publicou Findings in Hypnosis, depois relançado com o título Hypnotherapy. A combinação entre aulas, gravações e livro preservou um método de indução rápida e uma linha de ensino dirigida a profissionais de saúde. O perfil da família documenta sua trajetória e não é uma avaliação independente dos resultados clínicos.
Consulte a biografia de Dave Elman mantida por seus familiares.
Quem são alguns hipnotizadores famosos da atualidade?
Os cinco nomes seguintes aparecem em fontes publicadas pelos próprios profissionais ou pelas instituições que representam. As informações descrevem como esses perfis se apresentam e o trabalho que anunciam.
Gerald “Jerry” Kein
A página institucional da OMNI atribui a Gerald F. Kein a fundação do OMNI Hypnosis Training Center, na Flórida, em 1979. A organização apresenta seu treinamento como baseado em métodos de Kein e Dave Elman, depois desenvolvidos por Hansruedi Wipf. Essa sequência identifica uma contribuição pedagógica: Kein ajudou a criar uma escola que formou uma linhagem de cursos e materiais próprios. A descrição explica por que seu nome aparece em biografias e programas de formação contemporâneos. A própria OMNI é a fonte para sua história institucional; essa referência não verifica por si só eficácia, reconhecimento público ou habilitação profissional em outros países.
Veja a história que a OMNI publica sobre sua fundação em 1979.
Kelley T. Woods
No site profissional de Kelley T. Woods, ela se descreve como hipnoterapeuta clínica e autora. Em 2017, recebeu, segundo a própria página editorial, o prêmio Pen and Quill da International Medical and Dental Hypnotherapy Association por Weight Loss with Hypnosis: The Ultimate Practitioner’s Guide. O livro organiza sugestões e exercícios para profissionais que trabalham com motivação, alimentação emocional e retomada após contratempos. Sua relevância para este perfil é a autoria de um material de formação e prática, além da atividade clínica que anuncia. O prêmio e a descrição vêm de fontes de primeira parte e não comprovam resultados de tratamento.
A descrição do livro e do prêmio está na página da autora sobre Weight Loss with Hypnosis.
Melissa Tiers
Melissa Tiers se apresenta em seu site como hipnotista clínica, autora e formadora em Hipnose Integrativa. Em 2014, publicou com Shawn Carson Keeping the Brain in Mind: Practical Neuroscience for Coaches, Therapists, and Hypnosis Practitioners, livro que apresenta conceitos de neurociência para profissionais que trabalham com hipnose, terapia ou coaching. A obra documenta uma vertente de formação que busca relacionar linguagem clínica, aprendizagem e modelos de mudança. A data e os créditos bibliográficos constam no catálogo do livro; seu site informa como ela descreve a própria atuação atual. O perfil registra obra e método de ensino, sem endossar as alegações promocionais associadas a cursos.
Consulte a apresentação profissional de Tiers e o registro de Keeping the Brain in Mind, edição de 2014.
James Tripp
James Tripp descreve que, desde 2008, desenvolveu a marca de formação “Hypnosis Without Trance” e passou a ensinar sua abordagem em cursos e conferências. Seu livro Hypnosis Without Trance: How Hypnosis Really Works apresenta um modelo centrado em sugestões e fenômenos observáveis, com exemplos como alterações subjetivas e experiências construídas durante uma interação. O título registra uma proposta autoral que questiona a ideia de que toda hipnose depende de um ritual longo de indução. A contribuição importa como modelo contemporâneo de ensino e demonstração; é a descrição de Tripp sobre seu trabalho, sem validação clínica implícita nem equivalência com psicoterapia regulamentada.
Leia como ele apresenta sua trajetória desde 2008 em Hemispheres I e conheça o livro em Hypnosis Without Trance.
Giancarlo Russo
Giancarlo Russo se apresenta em seu site como fisioterapeuta, psicólogo clínico e hipnotista, com atuação em reabilitação funcional e neurológica. A página registra um prêmio chamado Hypnotic 2026 Award e anuncia o e-book Quello che le parole non dicono, sobre linguagem corporal, além de cursos e seminários dirigidos a profissionais de saúde. Esse perfil documenta como ele combina a descrição de sua formação com atividades de ensino e materiais próprios. A fonte é o site do próprio Russo; por isso, datas, títulos e áreas de atuação devem ser entendidos como autodescrição, sem inferência sobre eficácia de seus serviços.
Veja a biografia, o livro e as atividades anunciadas no site profissional de Giancarlo Russo.
Como interpretar perfis de hipnotistas?
Identifique quem publicou cada informação. Um relatório histórico pode registrar uma experiência e seus autores; um catálogo confirma título e data de edição; uma escola descreve a própria linhagem; um profissional informa como apresenta seus serviços. Essas fontes respondem a perguntas diferentes. Nenhuma delas, sozinha, prova que uma pessoa é “a melhor”, que um método funciona para uma condição ou que alguém está habilitado a oferecer cuidado clínico no Brasil.
Para entender o vocabulário e o contexto, veja o que é hipnose e como funciona, a história da hipnose e o guia de hipnose clínica. Para distinguir a qualificação de cada profissão, consulte as diferenças entre hipnoterapeuta, psiquiatra e psicólogo.
Perguntas frequentes
O que a regra do CFP diz sobre hipnose de palco?
O artigo 3º da Resolução CFP nº 013/2000 veda que o psicólogo use hipnose como demonstração fútil ou sensacionalista, ou para criar situações constrangedoras às pessoas que participam. A norma trata da conduta profissional de psicólogos.
A ASCH aceita qualquer pessoa como integrante profissional?
A sociedade declara que seus membros precisam ser profissionais de saúde licenciados e atender a critérios mínimos de formação, como doutorado, mestrado em disciplina de saúde aprovada ou credenciais clínicas específicas. Esse é o critério da ASCH nos Estados Unidos, não uma regra de habilitação brasileira.
A CBO regulamenta a profissão de hipnoterapeuta?
Não. O Ministério do Trabalho esclarece que a CBO classifica ocupações e fornece dados para estatísticas de emprego, enquanto a regulamentação profissional depende de lei. A presença de uma ocupação em uma classificação não concede registro em conselho de saúde.


