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Setembro Amarelo e sua História: Uma Campanha de Valorização à Vida

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Setembro Amarelo e sua História: Uma Campanha de Valorização à Vida
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A melhor forma de entender o suicídio não é estudando o cérebro, mas sim oferecendo apoio e cuidado. Assim surge o Setembro Amarelo, entenda:

Em um mundo onde 793 mil pessoas se mataram só no ano de 2016, campanhas como o Setembro Amarelo se mostram cruciais para a sobrevivência humana. Essa estratégia de combate ao suicídio vem como uma tentativa de conscientização da população e, assim, redução desses números alarmantes. A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio. A divulgação do tema e o alerta à população sobre a importância de sua discussão são igualmente relevantes.

Setembro Amarelo: A história por trás da data

Se engana quem pensa que não existe alguma coincidência para nome, cor e mês dessa campanha. A prevenção do suicídio já acontece de uma forma mundial. É no mês de setembro por causa de Mike Emme e seu suicídio em um Mustang amarelo.

O jovem de 17 anos era conhecido em sua comunidade pelo apelido “Mike Mustang”. Há muito ele vinha se dedicando a consertar um carro de mesmo nome. Por ter sido um adolescente alegre e com habilidades mecânicas, era um tanto popular. Seu esforço para pintar e restaurar um Mustang 68 por conta própria era conhecido em toda comunidade. O Mike dedicou-se muito ao serviço, até que conseguiu terminar a restauração, pintando o carro de amarelo.

Mesmo com tanta popularidade, as pessoas próximas a ele não conseguiram enxergar os sinais depressivos que ele vinha demonstrando. Ele acabou por tirar a própria vida em um ato desesperado que surpreendeu a todos que o conheciam. Seu pedido de ajuda, infelizmente, veio tarde demais.

Fitinhas Amarelas

As pessoas que se reuniram para consolar a família, conversaram sobre a tragédia para ajudar outras pessoas. Além de confortar a falta do “Mike Mustang”, poderiam assim ajudar quem estivesse passando pela mesma situação. As fitinhas amarelas, da cor do Mustang, surgiram como uma recordação para levar para casa. Junto com as fitas, eles escreveram cartões com os dizeres: “Não faça isso, não tente o suicídio! / Se você chegar nesse ponto de dor, peça ajuda!”

Na noite anterior ao enterro de Mike, seus amigos compartilharam sua tristeza enquanto prendiam 500 fitas nos cartões para distribuí-las. Três semanas depois da distribuição delas, a mãe de Mike recebeu uma ligação de uma professora em Wyoming, EUA. Ela soube da história de Mike através de uma aluna que lhe pediu ajuda. Ela queria ajudar mais adolescentes de sua área após perceber o quão silencioso podia ser o problema. Outras ligações começaram a chegar de todos os lados dos Estados Unidos além de cartas com pedidos de ajuda e apoio. O que fez o movimento crescer.

A fita amarela se tornou o símbolo do programa. Adolescentes começaram a amarrá-los em seus cabelos e prendê-los em suas roupas. Era um ato para demonstrar solidariedade a todos que buscam e precisam de ajuda.

Não só depressão: As múltiplas causas do suicídio.

É certo que a taxa de suicídio e depressão são duas condições muito relacionadas comumente. A correlação entre elas é comprovada. Ainda assim o suicídio é considerado o desfecho de um fenômeno complexo e multicausal. Ele decorre da interação de diversos fatores, talvez porque a causa da depressão também tenha esse caráter multifacetado. Como demonstra um estudo publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria em 2009, onde caracteriza a presença da depressão como um elo de mediação entre a ansiedade e a propensão ao suicídio.

Assim forma-se a opinião consensual entre os pesquisadores sobre a noção de que não há um fator único capaz de responder pela tentativa ou ao suicídio propriamente dito. Há a relação de outros fatores como:

  • A presença de traumas psicológicos prévios como convivência com situações de risco ou abusos sexuais na infância;
  • Situações existenciais pessoais e culturais, como a pressão social para que se exerça uma determinada função ou papel no contexto familiar;
  • O uso de drogas, que são causadoras e/ou catalisadoras de quadros depressivos menores;
  • Situações de perda muito intensa que produzem a sensação de ruptura de valores para o indivíduo. Gerando um total desinteresse pela continuação da sua existência, um sentimento relacionado a perda de sentido na vida.

No campo da pesquisa sobre comportamento suicida, os estudos têm tido caráter pragmático e produziram um panorama de fatores claramente associados ao suicídio, sem oferecer uma amarração teórica consistente. Por outro lado, as campanhas de prevenção têm demonstrado muita eficiência e valor social, resultado que incentivou a prática de prevenção em diversos países como Finlândia, Noruega, Suécia e Austrália. Hoje é estimado que apenas 40 países tenham práticas governamentais de prevenção ao suicídio, o Brasil é um deles.

O Setembro Amarelo no Brasil

 

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Em 2003 a Organização Mundial de Saúde (OMS), decretou que o dia 10 de setembro seria o Dia Mundial da Prevenção de Suicídio. Aproveitando, em parceria com a família de Mike Emme, a oportunidade da cor amarela e sua representatividade para o tema. Já no Brasil, a campanha teve início em 2015, através da parceria de 3 entidades, o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

O objetivo é alertar a população sobre esse problema silencioso, iluminando ou sinalizando locais públicos com faixas e símbolos amarelos. Além de promover atividades sobre a identificação de sintomas potencialmente perigosos para o tema. Muito mais presente do que se imagina, os dados de suicídio são alarmantes. Um estudo realizado pelo IBGE, com coordenação da OMS, na região de Campinas, mostrou que ao longo da vida, 17,1% dos brasileiros “pensaram seriamente em por fim à vida”. 4.8% chegaram a elaborar um plano para tanto, e 2,8% efetivamente tentaram o suicídio. De cada três pessoas que tentaram o suicídio, apenas uma foi, logo depois, atendida em um pronto-socorro (Botega e cols., Rev. Bras. de Psiquiatria, 2005).

Como identificar um comportamento suicida?

Existem vários comportamentos que indicam a possibilidade da pessoa estar produzindo idealizações suicidas. Elas podem ser tão detalhados como a elaboração de um plano ou aparentemente inofensivas, como o relato de querer desaparecer, dormir para sempre, ir embora e nunca mais voltar, dentre outros.

Embora muitas pessoas que desenvolvam uma idealização suicida não venham a cometer suicídio, outras prosseguem com a ideia e tentam tirar a própria vida. Dentre os comportamento que servem como indicativos que isso está acontecendo estão:

  • Fumar cigarro, ter comportamentos compulsivos ou o descaso com a higiene pessoal: Pode parecer muito abrangente, mas existem muitos estudos que comprovam a associação entre fumantes e suicidas. Onde na verdade se observa um desleixo e desinteresse pelo futuro, lógica que pode ser aplicada na identificação outros comportamentos auto destrutivos.
  • Se a pessoa já apresentar sintomas ou for diagnosticada com transtornos de ansiedade, ataque de pânico, TOC, transtorno de ansiedade generalizada, alucinação, delírio, dentre outros: Todos os tipos de transtornos do humor têm sido associados pela OMS com o suicídio, justamente por sempre apresentarem características sintomatológicas e causas muito comuns entre si. Dentre elas:
    • Transtornos Alimentares
    • Bullying
    • Traumas de Infância
  • Ouvir músicas, assistir filmes e/ou ler livros sobre morte regularmente pode ser um indicativo;
  • Pouca socialização/Se isolar de família e amigos.

CVV: Se você chegar nesse ponto de dor, peça ajuda!

Para fazer jus ao intuito da criação das fitas amarelas, desenvolveu-se mundialmente canais de apoio às pessoas que precisam de ajuda. No Brasil isso não é diferente, o telefone 188 do CVV é o primeiro número telefônico gratuito, inclusive para ligações por celular, para apoio emocional de emergência e prevenção do suicídio. Ele foi uma concessão do Ministério da Saúde ao CVV e teve sua última fase de expansão em 1 de julho de 2018, quando o número 188 ficou disponível em todo o território nacional. Movimento governamental muito positivo, tendo em vista sua antecedência de quase dois anos em relação à previsão inicial feita pelo Ministério da Saúde Brasileiro.

Todos nós possuímos uma série de necessidades que motivam as nossas ações e a maneira como nos sentimos sobre elas, sobre como nos afetamos pela realização dessas necessidades ou não. O psicólogo americano Abraham Maslow mapeou as necessidades básicas do ser humano em uma pirâmide hierárquica que atribui um grau de importância a cada uma delas. Segundo ele, as fisiológicas são as iniciais, enquanto as de realização pessoal são as necessidades finais. A questão é que, na maioria das vezes, não sabemos lidar com os nossos próprios sentimentos. Ou pior que isso: não conseguimos identificar quais as necessidades – atendidas ou não – que nos levaram a sentir o que sentimos. Essa situação se torna ainda mais problemática numa sociedade em que somos julgados por identificarmos e revelarmos as nossas necessidades. Em um lugar onde também não somos educados para expressá-las sem medo.

Fazer isso pode ser muito assustador. No entanto, ao expressarmos as nossas necessidades, temos mais chance de satisfazê-las, deixá-las aparentes.

Assim como, por outro lado, se não as valorizamos os outros também podem não fazê-lo simplesmente porque não conseguem enxergá-las. No CVV, há uma tentativa de valorizar as necessidades de cada um e se dispor a acolher e ouvir os sentimentos de todos. Para conversar, acesse cvv.org.br ou ligue para 188. Expressar o que sentimos pode ser confuso e, por vezes, até difícil. Mas é o caminho para ajudar a identificar quais são as nossas necessidades que ainda precisam ser atendidas.

Esse texto representa um material didático que tem como único objetivo levar informação a possíveis formadores de opinião e responsáveis pela saúde mental e física das pessoas. Comportamentos prejudiciais como esse são assuntos de saúde pública e devem ser tratados como tal, com a seriedade necessária para que consigam ser identificados por pessoas capacitadas. Se você está precisando de ajuda ou se conhece alguém que queira ajudar, procure um profissional qualificado em sua região. Em caso de urgência e risco de vida, o Centro de Valorização da Vida (CVV) fornece atendimentos rápidos pelo site www.cvv.org.br e telefone, discando 141. Buscar ajuda é sempre a melhor opção.

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